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Anteriormente no X1, falamos um pouco sobre como surgiu esta saga magnífica que é castlevania. Seus primeiros jogos na era nintendista, seus personagens principais e um pouco de suas origens, e claro falamos sobre alguns dos melhores jogos, como Castlevania 2 e 3 e o invencível Symphony of the Night. Castlevania teve uma história muito próspera nos grandes consoles até chegar no Playstation 2 onde os dois principais jogos da saga lançados para o mesmo, não fizeram aquele sucesso esperado, sendo um usado para tentar (sim eu disse TENTAR) explicar a origem de Drácula e da lendária arma Vampire Killer e outro usado como um SpinOff da saga principal se passando logo após o Castlevania III usando Trevor Belmont como coadjuvante e um protagonista bem blah, que segundo a história foi um dos tenentes de Drácula quando este ainda era um cavaleiro de Deus.

Após este fiasco, Castlevania resolveu dar um tempo nos grandes consoles. Mas vale lembrar que durante toda esta época a Nintendo evoluía na classe dos portáteis e a Konami, por que não, apostava nesta valiosa franquia para os pequenos GameBoys. Os títulos para os portáteis seguiam muitas vezes a cronologia oficial da série e alguns aproveitavam para contar histórias alternativas. Vou destacar aqui alguns dos mais interessantes.

Começo com Castlevania II: Belmont’s Revenge que é a continuação direta de Castlevania Adventure que falei na primeira parte desta coluna. Desta vez Drácula ainda em uma forma incorpórea usa sua influência para sequestrar o filho de Christopher Belmont e transforma-lo em um maldito demônio, obrigando Christopher a partir em mais uma jornada, desta vez sendo obrigado a enfrentar o próprio filho. Apesar de ser um jogo mais lento, este foi um dos jogos que mais explorou o hardware do GameBoy.

Castlevania Legends nos conta pela primeira vez a origem dos Belmont como Caçadores de criaturas das trevas. Na pele de Sonia, a primeira Belmont a enfrentar Drácula e conhecer o fodão do Alucard. Ao fim do jogo ela dá a luz ao Trevor entrando então na cronologia contada nos consoles. Tenho que lembrar que por mais que sejam bons, todos estes jogos seguem a mesma fórmula: Belmont, castelo, monstros, Drácula, fim do jogo. Absolutamente todos seguiram essa bem sucedida receita de bolo. Mais tarde uma nova série do Game Boy veio para mudar um pouco as coisas.

Começo citando Castlevania: Circle of the Moon, que tirava o foco dos Belmont e mostrava uma época já próxima a era moderna, onde dois jovens rivais aprendem a ser caçadores de vampiros e disputam a posse do lendário chicote enquanto uma gostosa (apagar) demônia chamada Carmilla tenta a todo custo reviver seu antigo mestre draculesco.

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Este é um jogo que vale ser lembrado por que teve a iniciativa de mudar uma história e protagonistas de um jogo que já vinha usando a mesma forma a tanto tempo. Depois de seu lançamento, recebeu a raríssima nota 9,6 da crítica e sendo avaliado como Fantástico pela IGN. Definitivamente não era um jogo fraco. Este inspirou o que viria a ser a maior pérola do Game Boy na minha opinião.

Castlevania: Aria Of Sorrow, foi uma das maiores obras primas da série inteira e com certeza merecedor de uma versão para um console grande. Lembram o que falei sobre mudar a fórmula mágica de castlevania? Aria of Sorrow faz isso de maneira espetacular. Começando por sua época. Este é um jogo da saga que tem seu prólogo no ano de 1999 com o último Belmont vivo derrotando Drácula. Este sabia que Drácula retornaria, por isso usou de avançados conhecimentos mágicos para não só matar o monstro novamente como selar seus poderes num eclipse solar. Neste momento uma profecia foi feita, dizendo que em 36 anos a alma de Drácula (incrível saber que ele ainda tinha uma) reencarnada voltaria ao castelo durante o retorno do Eclipse e herdaria os seus poderes. Eis que 36 anos depois, em 2035, conhecemos o jovem Soma Cruz, um aluno transferido no Japão. Este possui uma namoradinha de infância chamada Mina Hakuba, filha de um sacerdote de um grande templo.

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Durante um eclipse solar os dois que estavam no lugar certo e na hora certa são transportados para uma espécie de dimensão alternativa onde há um enorme e misterioso castelo. Lá eles encontram um agente do governo chamado Genya Arikado. Este, explica que eles estão as portas do castelo do mais BadAss de todos os vampiros. Alguns demônios surgem e Genya os derrota facilmente (com habilidades que lembram muito um certo meio vampiro que está desaparecido a alguns séculos…) e após isso as almas dos monstros são absorvidas por Soma. Genya explica que este é o raro poder do domínio, onde Soma poderá absorver as almas dos seus oponentes e usar de suas habilidades. Soma então vai explorar o castelo e lá encontra um missionário chamado Graham Jones, que sabe sobre a profecia e diz estar lá apenas como explorador. Encontramos também Yoko Belnades do antigo clã Belnades (Castlevania III lembram?) Que diz estar atrás de Graham pois este acredita ser a reencarnação de Drácula e está lá para herdar os seu poderes. A luta agora é para impedir que Graham possua os poderes do Conde na sala do Trono e evitar que as trevas venham novamente ao mundo. Temos a ajuda então do misterioso J que se revela como Julius Belmont, o homem que derrotou Drácula 36 anos atrás e vagava por aquela dimensão sem se lembrar de quem era. (Atenção aos Spoilers) O Jogo finalmente chega em sua fase final quando Soma enfrenta Graham com a ajuda de Genya, Yoko e Julius impedindo que ele recupere os poderes de drácula para termos a melhor surpresa de todas: Os poderes não passam para Graham e sim para Soma que se revela a verdadeira reencarnação do senhor das trevas. Esse tipo de reviravolta era uma novidade na saga Castlevania, por isto esse jogo é tido por mim como um dos melhores da série inteira. Aqui como em Symphony of the Night, temos mais de um final possível dependendo de como você usa seus poderes nas ultimas fases do jogo. No final Fake, você simplesmente sela os poderes de Drácula no eclipse novamente. E este vai esperar a próxima reencarnação aparecer para tentar esta porra toda de novo. Caminhando para o final verdadeiro, você derrota Graham, pega os poderes de Drácula e se revela a reencarnação do Vampiro. Genya então alerta Soma de que há uma maneira de ele se salvar. No fim da sala do Trono existe a entrada para a realidade do Caos, onde a energia sinistra que alimenta o castelo ainda vive. Apenas com os poderes do Conde é possível finalmente terminar o trabalho que séculos de gerações dos Belmont sem empenharam em tentar. Soma então entra nesta realidade e enfrenta o Caos, que assume uma forma meio física meio etérea para se defender. Aí no final Legal, Soma derrota o Caos e finaliza de uma vez por todas o mal de Drácula no mundo restando apenas ele mesmo, que agora detém a alma e os poderes do Conde. Ao fazer isso o Eclipse solar se encerra e ele e todos os seus amiguinhos voltam a sua realidade agora livre para sempre do mal. E o final BadAss que é o que eu gosto de lembrar, é onde Soma falha em derrotar o Caos e os poderes do Conde assumem o controle sobre sua mente tornando-o um novo, jovem e poderoso Drácula. E termina o jogo com Julius Belmont chegando na sala do trono e encontrando Soma sentado de maneira folgada, com as pernas cruzadas e segurando uma taça com um líquido vermelho. Daí pra frente, já dá pra se ter uma ideia do que vai acontecer.

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Aria of Sorrow é para Game Boy Advanced o Equivalente de Symphony of the Night para PS1 pois ambos possuem uma mecânica de jogo muito parecida, o mesmo sistema de exploração do mapa, só que com histórias diferentes e igualmente fodas. E vale lembrar que as artes e ilustrações feitas tanto no Symphony quanto no Aria foram criadas pela mesma artista, a chamada Ayami Kojima, que através do traço obtido com Giz de cera e tinta Nanquim, deu vida e aparência a personagens da maneira como conhecemos de maneira mais popular.

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Aria Of Sorrow gerou uma continuação também para GameBoy, chamada Castlevania: Down of Sorrow. Bem mais fraquinha de história mas usando os mesmos elementos e personagens carismáticos desta vez com cara de Anime, o que segundo o produtor, foi uma estratégia para aproximar a franquia de um público mais jovem.

Hoje falamos do que há de melhor na série Castlevania para o nosso querido Game Boy. Recomendo muito que baixem um emulador do Color e do Advanced para entederem melhor do que estou falando. Na terceira e última parte desta coluna finalmente vamos encerrar olhando com atenção o reboot da série na nova geração com Castlevania Lords Of Shadow, seus DLCs, SpinOffs e sua sequência lançada em fevereiro deste ano.

Até a próxima!!

ERIC_ASS