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Comecemos pelo fim, ou melhor, tendo em vista que o tema é justamente o deslocamento temporal, fica livre ao você, leitor, tentar provar que este não é, de fato, o começo de tudo e, por conseguinte, a primeira coisa a ser tratada.

De acordo com o cinema, os efeitos de uma viagem no tempo podem ocorrer de três maneiras:

a) O evento alterado se assemelha a uma pedra arremessada em um lago e seus efeitos vão progressivamente alterando a linha temporal posterior ao seu acontecimento. Temos como principal exemplo aqui o fato de nosso querido McFly não desaparece de imediato ao impedir o encontro original de seus pais, ou ainda o fato de que, no segundo filme da trilogia, o velho Biff retorna ao passado, entrega o almanaque ao Biff novo e, ao retornar para devolver o DeLorean, seu futuro ainda não havia se alterado;

b) Temos ainda a possibilidade igualmente explorada no segundo filme de De Volta Para o Futuro (não me peçam para tentar adivinhar o que passava na cabeça da equipe da época rs) onde, ao se viajar no tempo e alterar determinado fato, o indivíduo, em verdade, sai de sua linha temporal e acaba por ingressar em uma realidade temporal paralela, uma outra linha de tempo;

c) Por fim, as mídias nos mostram ainda a possibilidade de, assim que determinado fato se altera na linha do tempo, todas as variantes dele dependentes se alteram automaticamente e imediatamente, como ocorre, por exemplo, em Efeito Borboleta.

Vale salientar que, embora distintas, tais teorias se assemelham ao estabelecer que o viajante temporal acaba não sendo afetado pelas mudanças que provoca, pelo menos não no campo da memória. Podemos então deduzir que, de acordo com o cinema, bem como quadrinhos e demais mídias, o deslocamento desse viajante ocorreria com ele saindo do plano temporal e, assim, tornando-se imune às alterações realizadas.

Outra questão a ser levantada é que, em sua quase totalidade, as viagens no tempo são vistas do ponto de vista do viajante. Tudo bem, assumimos que isso pode parecer meio óbvio, mas vamos a uma breve explicação do porquê deste fato ser importante: conforme vimos – ou melhor, ouvimos – no cast de nº 80, o pessoal do Dragões de Garagem explicou o princípio da causalidade, e nos mostrou que não se poderia, por exemplo, voltar no tempo para impedir, ou mesmo, acarretar determinado fato, já que foi justamente sua ocorrência/não ocorrência que serviu como causa para a viagem do tempo (consequência). Oras, desaparecendo a causa, a consequência igualmente desaparece; no entanto, se não ocorre a viagem no tempo, a causa dela ocorre normalmente e, assim, cria-se um infinito looping “viagem/não viagem”.

É justamente aqui que entra a importância do fato de as viagens temporais serem analisadas do ponto de vista do viajante.

Tomemos como exemplo a história do livro/filme A Máquina do Tempo, onde o protagonista faz o salto temporal para salvar a vida de sua noiva. A nosso ver, toda a lógica da impossibilidade de ele não conseguir impedir sua morte está justamente no fato de que estamos acompanhando a história do ponto de vista do herói e ele já estar no passado, ou seja, a consequência já ocorreu. Oras, se em nossa história a consequência é concreta, é obrigatória a ocorrência da causa, assim, ainda que a morte da noiva tenha sido evitada da maneira que iria acontecer originalmente, ela ainda VAI ocorrer, de uma maneira ou de outra, visto que o cientista fez a viagem do tempo para evitá-la.

O mesmo ocorre se imaginarmos viajar para o futuro e trazer para nosso tempo novas tecnologias. A menos que nosso “contrabando temporal” seja mantido no mais absoluto segredo, ele acabará alterando a linha temporal inteira e fazendo com que a tecnologia que trouxemos de, por exemplo, 2150, não exista, já que, por conta desse salto tecnológico todo futuro foi alterado, cirando, assim, um novo paradoxo.

Vemos então, meus caros, que somente nos resta a tristeza de perceber que, a menos que nossa viagem no tempo seja bem parecida com a de Marty McFly no primeiro filme, sem um propósito definido, a viagem no tempo se mostra bem inútil já que, de uma maneira ou de outra, a nossa própria presença no passado ou no futuro acaba se tornando a prova cabal de que aquela linha do tempo vai forçosamente ocorrer, caso contrário, não teríamos viajado no tempo.

Em resumo, se um dia finalmente comprovarmos a existência dos táquions e aprendermos a os manipular, nada poderemos fazer, senão um mero turismo temporal…

#chatiado

ASS_MADEIRA

  • Parabéns pela Coluna Madeira, realmente não pensei nessa coisa de looping de viagem/não viagem no cast, faz todo o sentido… se tem um assunto complicado e complexo é viagem no tempo rsrs

    • Jonathas Madeira

      Eu que agradeço demais a oportunidade, meu caro, verdadeira honra deixar algumas palavras aqui. Viagem no tempo é mesmo coisa de dar nó em cabeça… se já deixa a gente biruta, imagina na cabeça do pessoal que entende dos paranauê da Física, hahaha

  • O tema viagens no tempo me fascinam(ui!) bastante. Deixo como recomendação as histórias dos Exilados, que saiam na revista X-Men Extra (da Panini). Eles eram um grupo de personagens retirados de suas linhas temporais e enviados em missões de “ajuste do multiverso” (eles tinham a missão de fazer certos acontecimentos ocorrerem pra que o universo em questão não se colapsa-se ou tomasse um rumo diferente do planejado na “Harmonia multiversal”).

    Propaganda free: http://socialzero.com.br/previews/fotos-e-videos-filme-dos-vingadores-na-italia/

  • Sensacional, Madeira conseguiu expor de maneira mega feliz os terríveis problemas dos paradoxos temporais que nos deixaram em looping e eterno naquele saudoso Cast 80 rs, Valeu Madeeeeeeeira!!! E ótimas recomendações acima do Mega Mendingo!!!