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Salve Renegados bípedes dotados de polegar opositor!! Com imensa alegria que hoje me lanço nos braços do fanboysmo para falar da série que explodiu a minha cabeça a algumas translações atrás e hoje, como que seguindo uma orbita sem alterações, repete a cacetada me fazendo ser o mais espiritual dos céticos. É isso mesmo meus caros vamos falar de COSMOS!

“o Cosmo é tudo que é, ou foi ou será…”

Com esta curta frase com forte emprego filosófico se iniciava a incursão de toda uma geração ao distante mundo da ciência. Ciência esta que para boa parte da população ainda era praticada por gênios loucos, de aventais brancos, capazes de manipular poções e criar tecnologias impensáveis, contudo incapazes de pentearem a cabeleira. Sim, após seus altos e baixos a ciência era vilanesca e remetia as pessoas que suas buscas eram basicamente para alimentar a vaidade humana e fazer a vontade de governos buscando mostrar seu poderio tecnológico. Bom, eles não estavam tão errados, afinal, a ciência até que conhecemos outros que a realizem é criação humana, assim como qualquer outra pode ser ferramenta para bons e maus propósitos. Mas meus caros o que o digníssimo trabalho de Carl Sagan e Ann Druyan, que escreveram o livro Cosmos fez foi trazer um marco na história da divulgação científica mundial, inspirando uma série que chegaria aos lares americanos e ao mundo mostrando que a ciência é boa e só quer que você a dê ouvido e a chance de se provar… E, diga-se de passagem, ela adora se provar rs…

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Bom como a própria série original do final da década de 70 convida ( Uma viagem pessoal) vou tentar me ater à minha experiência sobre a série, o que ela despertou em mim que quando a conheci já tinha a ciência como companheira fiel e mesmo assim fui surpreendido vendo que nada sei. Não basta só dizer a série é boa, qualquer um pode ver isso no Imdb com sua nota 9,3, o correto é dizer que você não consegue vê-la apenas como um documentário pois embora tenha uma informação sendo passada, a simpatia e a boa condução de Sagan causam grande empatia ao apresentador, fazendo com que, você realmente sinta a emoção contida em suas palavras, emoção esta verdadeira, pois Sagan era de fato um grande cientista de sua época, envolvido nas missões Voyager 1 e 2, onde inseriu o famoso disco de ouro que passa informações sobre nós (contando que no universo a galera seja do bem), por mais cativante que seja uma artista como um ator famoso, ou alguém que estudou muito sobre o assunto, nada supera alguém que podemos dizer, está falando de suas “crias” com aquele orgulho de pai. Um figurão que melhor que ninguém passou no formato audiovisual o deslumbre pelo desconhecido e a beleza da crença em novos saberes.

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Gostaria de ressaltar em especial dois episódios, o segundo, “Uma voz na sinfonia cósmica”, onde o curso da vida na Terra é descrito com maestria, um ótimo texto, sutilmente provocativo sobre a evolução dos seres vivos e nós como seres humanos, não diferente dos demais também suscetíveis aos caprichos da seleção natural. Outro que me marcou bastante foi o ultimo episódio, 13, chamado “Quem pode salvar a Terra”, onde cita a biblioteca de Alexandria com trabalhos de Eratóstones, Parco, Euclides, Galeno dentre outros. Todo um trabalho riquíssimo, conhecimentos de uma era onde a humanidade aflorava o interesse sobre a natureza, perdidos pelo seu pouco carisma em relação a grande população muito mais adepta do misticismo. O relato sobre Ipacia ultima cientista diretora da biblioteca de Alexandria, morta por uma multidão furiosa que a viam como pagã, seguidores de Ciro que a mataram arrancando sua carne do corpo com conchas em um dia que a mesma apenas seguia sua rotina e se encaminhava ao seu trabalho, queimaram seus restos mortais em seguida, e após isso a própria biblioteca. Medo, ignorância e sede de poder atrasando o conhecimento científico em milhares de anos … Sim isso realmente mexe com a sua visão do mundo.

Sagan conseguiu fazer com que a minha viagem fosse muito marcante. Eu me vi tendo possibilidades de questionamento que jamais me permiti sobre a natureza das coisas e adequar respostas que me faziam muito mais aliviado, muito mais receptivo a ideia de ser pequenino, minúsculo num cosmos vasto com muito chão para curiosidade humana explorar e se encantar.

Fiquei órfão como muitos creio eu, ao fim da série a realidade se torna uma gama de possibilidades a serem exploradas, tipo “Bora cambada, bora fazer ciência! Notoriamente não tão icônica e heroica mas com o mesmo charme de uma questão lhe desafiando ” Decifra-me ou devoro-te“.

Contudo passar essa mesma série para as gerações atuais já não era mais tão viável ( digo isso porque tentei rs) embora os alunos notassem que a intenção era boa e o conteúdo também, o ritmo hoje é outro, além disso carecíamos de uma remodelação nos efeitos especiais ( a nave dente-de-leão já tava ali, pau a pau com os aerolitos do Chapolin) e eis que Seth Macfarlane e Neil deGraasse Tyson mexem com a emoção dos “órfãos” de Sagan e reconstroem a nave da imaginação para que mais pessoas possam ter suas pequenas epifanias científicas. Neil deGrasse Tyson quase que como um discípulo detêm agora o controle da nave, astrofísico de renome internacional, famoso pelo seu jeitão engraçaralho popular na internet, deGrasse conduz esplendidamente a série até o momento. Sem a sombra de uma iminente guerra nuclear, a nova geração não tem um alerta ferrenho como no primeiro dos risco que as coisas estão sendo conduzidas no planeta, com exceção de modestas ameaças do sempre letal aquecimento global. Nesta versão notei um teor mais informativo e de louvor a cientistas ocultos nas brumas do tempo que desempenharam papéis importantes para a forma de compreensão do mundo hoje, o que não desmerece a série de maneira alguma.

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Ainda acho que o nível se mantém respeitável ao legado de Sagan, com mais liberdade e usando e abusando das regalias das tecnologias Neil nos mostra o que evoluímos no conhecimento do universo e da vida. E eu ainda me sinto como se voltando à casa antiga, com elementos como o calendário cósmico e a história da vida na Terra em 40 segundos.

A série na postagem desta coluna se encaminha para seus últimos episódios  mas fica aqui a mega recomendação. Assistam, viagem a outros mundos dentro e fora de nosso planeta e aceitem o convite de adquirirem um conhecimento que aceita ser questionado e alterado por qualquer um que siga as regras simples da ferramenta mais poderosa do homem.

asspdc

  • Rubens

    Boa professor…os cosmos foi e sera uma serie muito interessante..certa vez nos foi passado um trabalho de física baseado nesta serie…sempre aprendemos mais