“Eu conheci todas as regras, mas as regras não me conheceram”

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SINOPSE
Depois de terminar a faculdade com brilhantismo, Chris McCandless, jovem americano saudável e de família rica, doa todo o dinheiro que tem, abandona o carro e a maioria de seus pertences, adota outro nome e some na estrada, sem nunca mais dar notícias aos pais. Dois anos depois, aparece morto num lugar ermo e gelado do Alasca.
Por onde andou, o que buscava, por que morreu? Quem era realmente Chris McCandless?

CRÍTICA RENEGADA
Imaginem a seguinte situação: Você acaba de se formar na faculdade com notas altas, tem a vida estável, sua família tem bastante dinheiro e na sua conta bancária tem  mais de vinte mil dólares. O que você faria? Não sei qual foi a sua resposta, mas com certeza não é o mesmo que Chris McCandeless fez.

O livro “Na Natureza Selvagem” conta exatamente a história desse jovem que resolver largar uma vida confortável e passar dois anos andando como indigente pelos  Estados Unidos. Louco? Sonhador? Não sei, isso é de cada um mas para mim Chris McCandeless era um pouco dos dois.

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Na verdade o autor, Jon Krakauer, foi contratado para fazer uma matéria na revista que trabalhava, sobre um jovem encontrado morto no Alasca. Estava sem identificação, pouca bagagem e aparentemente morto de inanição. Krakauer então descobriu a história de Chris McCandeless, fez a matéria com poucas páginas e publicou na revista. Em poucas semanas a revista recebeu milhares de cartas com todo tipo de conteúdo. Alguns xingando a revista por terem feito uma matéria com alguém que não merecia atenção, outros elogiando a revista por mostrar um lado humano de um jovem que só queria a paz interior e tinha a maioria que simplesmente queria saber mais sobre a vida do rapaz.

Foi então que Krakauer decidiu cair de cabeça nessa história e dedicar um livro sobre o assunto. Ele entrevistou familiares, amigos, pessoas que Chris se comunicou durante esses dois anos e até alguns “colegas de trabalho” que ele fez durante esse período.
E o resultado foi espetacular, pois cada capítulo é iniciado com um pensamento, uma frase ou uma citação de Chris, o que nos leva para próximo dele e para o que ele estava sentindo. Durante a pesquisa para o livro, o autor descobriu que Chris mudou o nome dele para “Alex Supretramp”(Se fossemos traduzir seria algo como Alex Super Vagabundo), abandonou seu carro na beira de um rio, doou 24 mil dolares para uma instituição de caridade e tudo que ele queria era chegar ao Alasca.

Descobriu também que Chris tinha um péssimo relacionamento com os pais, mas em compensação adorava sua irmã. Não dava valor a nada material e era apaixonado pela vida selvagem. Desde criança adorava as histórias de Jack London que falavam de aventuras e animais, mas também sabia tudo sobre Tolstoi. Krakauer escreveu um livro sem escolher um lado. Falou tudo o que descobriu sobre Chris sem tentar transforma-lo em um ser superior ou que ele estava certo. Na verdade ele deixa bem claro que Chris era uma boa pessoa, amável, íntegra e honesta, mas que na verdade era visto como um vagabundo por quase todos em que cruzou.

O livro conta detalhes de sua aventura que vai do México ao Alasca, intercalando cartas, depoimentos, frases e até mapas. É um daqueles livros que você termina de ler e te faz pensar na vida. Te faz pensar se você vive ou sobrevive. É aquele livro que quando você termina, faz você perguntar para si mesmo: Eu sou feliz de verdade?

É um livro único, daqueles que você deve deixar em sua estante para sempre que você bater os olhos nele, te faça refletir um pouco.
No local em que Chris morreu, um ônibus abandonado que caçadores usavam de abrigo, Chris deixou seu testamento. Uma placa com os dizeres:

“Tive uma vida feliz e agradeço ao Senhor. Adeus e que Deus abençoe a todos.”
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E nos livros que ele tanto amava deixou seu pensamento final:

“A Felicidade só é real quando compartilhada”.

O Filme

O Filme foi lançado em 2007, dirigido por Sean Penn e traz Emile Hirsch (Aquele de “Show de Vizinha”) no Papel de Chris McCandless.

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Eu particularmente adorei o filme por vários motivos. Um dos principais é que a trilha sonora é toda feita por ninguém menos que Eddie Vedder, que escreveu músicas sensacionais que praticamente narram a saga de Chris. Como dizem por ai, livro é livro é filme é filme, mas lembram quando eu disse que Krakaeur não escolheu um lado? Sean Penn decidiu transformar Chris praticamente em um ser mistico, em que praticamente te obriga a admirar o personagem. Na verdade eu achei que no filme isso funcionou muito bem, afinal, romantizando a história o expectador tende a compreender as ações do personagem.

AN_NNS

ASSMIKE

Facebook: Mike / Twitter: @viciadoemler

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  • Gosto muito do filme, mas ainda não li o livro… Entrou para a lista! Ótima resenha!!!