‘Vou escrever uma história de fantasmas agora’, ela datilografou.
‘Uma história de fantasmas com uma sereia e um lobo’, datilografou mais uma vez.
Eu também datilografei.

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SINOPSE

A Menina Submersa – Memórias é um verdadeiro conto de fadas, uma história de fantasmas habitada por sereias e licantropos. Mas antes de tudo uma grande história de amor construída como um quebra-cabeça pós-moderno, uma viagem através do labirinto de uma crescente doença mental. Um romance repleto de camadas, mitos e mistério, beleza e horror, em um fluxo de arquétipos que desafiam a primazia do ‘real’ sobre o ‘verdadeiro’ e resultam em uma das mais poderosas fantasias dark dos últimos anos. Considerado uma ‘obra-prima do terror’ da nova geração, o romance é repleto de elementos de realismo mágico e foi indicado a mais de cinco prêmios de literatura fantástica, e vencedor do importante Bram Stoker Awards 2013. A autora se aproxima de grandes nomes como Edgar Allan Poe e HP Lovecraft, que enxergaram o terror em um universo simples e trivial – na rua ao lado ou nas plácidas águas escuras do rio que passa perto de casa -, e sabem que o medo real nos habita. O romance evoca também as obras de Lewis Carrol, Emily Dickinson e a Ofélia, de Hamlet, clássica peça de Shakespeare, além de referências diretas a artistas mulheres que deram um fim trágico à sua existência, como a escritora Virginia Woolf.

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Primeiramente, é realmente difícil colocar em palavras sobre o que retrata um livro onde até mesmo a sua protagonista tem dificuldades de demonstrar o tema abordado.

A Menina Submersa, da escritora Caitlin R. Kiernan, é uma história escrita por India Morgan Phelps (ou Imp, para os mais chegados) sobre seus encontros com criaturas, assombrações, lobisomens ou, talvez, nenhuma destas opções.

OK, eu sei que este começo deve ser um pouco confuso mas acredite, este é apenas o começo de uma belíssima história.

Imp vem de uma linhagem de mulheres com transtornos mentais. Sua mãe e sua avó cometeram suicídio  e a protagonista toma remédios para esquizofrenia.

[MODO WIKIPEDIA LIGADO]

Esquizofrenia é considerada pela psicopatologia como um tipo de sofrimento psíquico grave, caracterizado principalmente pela alteração no contato com a realidade (psicose). Segundo o DSM-IV, é um transtorno psíquico severo caracterizado por dois ou mais dentre o seguinte conjunto de sintomas por pelo menos um mês: alucinações visuais, sinestésicas ou auditivas, delírios, fala desorganizada (incompreensível), catatonia ou/e sintomas depressivos.

Para maiores (e melhores) informações: Entendendo a Esquizofrenia

[MODO WIKIPEDIA DESLIGADO]

Em uma tentativa de colocar seus pensamentos em ordem, Imp escreve sua própria história sobre fantasmas.

Vou confessar que eu tive problemas para ler este livro e não, isto não significa que ele é ruim, mas sim por ele ser extremamente denso.

Este é um daqueles livros que entram na sua cabeça e, quando você menos espera, está divagando sobre um dos assuntos abordados por ele.

Deixarei aqui um destaque para a narrativa do livro pois, conforme visto, vemos tudo sobre o ponto de vista de Imp, o que significa uma história não linear, que nem sempre é clara nas descrições e que, as vezes, passa até uma dupla visão dos acontecimentos.

“Nenhuma história tem começo e nenhuma história tem fim. Começos e fins podem ser entendidos como algo que serve a um propósito, a uma intenção momentânea e provisória, mas são, em sua natureza fundamental, arbitrários e existem apenas como uma ideia conveniente na mente humana. As vidas são confusas e, quando começamos a relacioná-las, ou relacionar parte delas, não podemos mais discernir os momentos precisos e objetivos de quando certo evento começou. Todos os começos são arbitrários.”

E eu achei isso genial!

Imp muitas vezes quebra o raciocínio, insere passagens do seu livro durante seus devaneios, disserta sobre poemas, pinturas e artistas (fictícios ou não) e, com isso, a autora mescla o mundo real com o fictício e, apesar de parecer complexo, você entende muito bem a linha de pensamento da nossa protagonista.

“Dualidade. A mutabilidade da carne. Transição. Ter de esconder o seu eu verdadeiro. Máscaras. Segredos. Sereias, lobisomens, gênero. As reações que podemos ter diante da verdade das coisas, diante da expressão mais sincera de alguém, diante dos fatos que ocorrem contra as nossas expectativas e os nossos preconceitos. Confissões. Metáforas. Transformação. Por isso, é muito relevante. Não apenas uma conversa casual na hora do café. Não deixe nada relevante de fora, por mais trivial que possa parecer.”

O livro aborda ainda uma outra questão, que renderia um bom papo, que é a discussão da Transgeneralidade, que representa uma pequena, mas notável, parte da história mas deixarei o convite para discutirmos esta e outras questões aqui nos comentários.

Finalizando, A Menina Submersa é um livro bagunçado e confuso mas, ao mesmo tempo, estonteantemente preciso e brilhante.

Deixo aqui o Book Trailer do livro:

E um vídeo breve do nosso bate-papo sobre o livro, feito em parceria com a Darkside Books e a Livraria Martins Fontes.

Valeu galera 😀

AN_AMS

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  • A Menina Submersa é complicado, porém lindo.. incrivelmente bem escrito, mas sufocante e doente.
    Ótima resenha Mihonezzzz

  • CIDO

    Teve ate boli….o/