“Senti que não havia confiança ou misericórdia em homens desprovidos de sentimentos; e, voltando-me para o Deus dos oprimidos, deitei a cabeça sobre minhas agrilhoadas mãos e chorei lágrimas amargas.”

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SINOPSE

Doze anos de escravidão narra a história real de Solomon Northup, negro americano nascido livre que, por conta de uma proposta de emprego, abandona a segurança do Norte e acaba sendo sequestrado e vendido como escravo. Durante os doze anos que se seguiram ele foi submetido a trabalhos forçados em diversas fazendas na Louisiana.

Este relato autobiográfico, publicado depois da libertação de Northup, em 1853, logo se tornou um best-seller, e hoje é reconhecido como a melhor narrativa sobre os períodos mais nebulosos da história dos Estados Unidos. Verdadeiro elogio à liberdade, esta obra apresenta o olhar raro de um homem que viveu na pele os horrores da escravidão.

RESENHA

Vamos lá, terminei de ler o livro a poucos minutos e, confesso, estou sem palavras para começar esta resenha, então tentarei passar todas as minhas impressões sobre a leitura.

Foto 07-03-14 08 14 0312 anos de escravidão te bate. Te espanca. Te machuca. Emocionalmente falando, claro, embora em algumas partes do livro, tão forte, que chega a parecer algo físico (estou falando sério). A sensação que tive é de ter o estômago socado a cada parágrafo relatando a cruel realidade do período de escravatura e o lado terrível do ser humano. Só pela sinopse dá para ver que não é uma leitura fácil.

O livro é um autobiografia de Solomon Northup, um homem livre, que mantinha uma vida aparentemente tranquila, com a mulher e dois filhos. Um trabalhador, que adorava ler e tocar violino. Sua vida vira um looping de acontecimentos quando o rapaz se encontra com dois homens, que o oferecem um trabalho.

“Até este momento a história da minha vida não apresenta nada de incomum – nada além das costumeiras esperanças, amores e trabalhos de um obscuro homem de cor trilhando um humilde caminho no mundo. Mas agora eu chegara a um ponto de virada na minha existência – ao limiar de uma maldade, de uma tristeza e de um desespero insuportáveis. Chegara à sombra da nuvem, entrara na espessa escuridão na qual eu não tardaria em desaparecer, para dali para a frente ser escondido dos olhos de meus iguais e privado da doce luz da liberdade por muitos e cansativos anos.”

O livro todo é recheado de detalhes dos locais, das pessoas com quem conviveu, dos processos de colheitas então é praticamente impossível não se envolver com a trajetória de Solomon Northup. Toda a injustiça envolvida na vida do homem é demonstrada em palavras de dor e desespero.

Creio que o tema do livro seja algo que deveríamos discutir muito mais. Ainda que o período da escravidão tenha acabado, podemos ver, claramente, atitudes e estereótipos cravados em nossa sociedade (e a história narra um fato que ocorreu em 1841, nos Estados Unidos!). Sistemas de opressão estão enraizados e temos que deixar de ser tão condescendentes quanto a esta situação. São livros assim que não só relatam o nosso passado mas nos forçam a olhar o porquê de estarmos neste presente e eu acredito que apenas com isso, podemos tentar mudar o futuro.

Por fim, recomendo mil vezes a leitura deste livro e que vocês, assim como eu, possam refletir sobre o tema. Também recomendo a crítica ao filme homônimo do nosso colaborador, Thiago Drake, aqui neste link.

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  • Oh well, eu me interessei bastante por esse livro por alguns vários motivos.

    O primeiro deles: gosto do tema. Justamente pq me tira da zona de conforto. Recentemente li “A Invenção das Asas”, que tbm é baseado em fatos reais, porém tem uma visão um pouco romantizada da coisa. Não é bonito nem nada disso, apenas é ~mais fácil~ de digerir.

    Em segundo lugar: esse livro e o filme foram confirmados como material de apoio nas escolas americanas a partir de setembro desse ano. É um período do qual eles tem vergonha e fiquei impressionada de ver que o assunto será debatido.

    E, claro, não posso esquecer o fato de que o livro virou filme. Adoro ler livros que serviram de base para roteiros de cinema (estou com “O Lobo de Wall Street”, “Philomena” e “A Resposta” lá em casa, na fila de leitura).

    E também achei essa edição maneira. Quem sabe num futuro façam algo similar ao Gatsby, com material fotográfico, extras e tal. Por hora, a essência do livro é o que importa. 😀

    Epa, fiz quase uma resenha em resposta, aehuaheuhaee.

    Beijoca :*

    • Miho

      Hahahahaha Raquel, sempre agregando aos nossos posts <3

      Eu curti bastante o livro. Acho que o tema, por mais dificil que seja de ser digerido, tem sim que ser colocado nas escolas, não somente dos Estados Unidos, mas em todas do mundo.
      O fato da escravidão ter acontecido é uma vergonha para a toda a humanidade e não deve ser visto superficialmente por aí. Isso faz com que as pessoas passem pela nossa história e não reflitam sobre nada.

      Um dos fatos que realmente me impressionaram é que a maioria dos relatos sobre o tema são feitos de "dentro para fora", ou seja, são histórias sobre um escravo que conseguiu a liberdade.
      12 anos de escravidão é diferente por realmente ser um looping. Solomon estava em uma vida boa e, de repente, estava vendo sua vida de ponta cabeça. Foi "de fora para dentro".

      Eu confesso que gosto muito mais da capa vermelha do livro mas sei que, se colocar uma sobrecapa branca com o poster fo filme, comercialmente falando, vai ser mais chamativo =P

      Valeu pelo comment ^^

      • Nah, mas essa capa vermelha é sensacional mesmo! Que bom que a sobrecapa é removível, é uma sacada mais inteligente. 🙂

        Quero ler logo <3

  • Mike

    Bem Miho… apenas uma frase pra vc:

    ME EMPRESTA ESSE LIVRO LOGO!!!!!

    =D

    • Miho

      Empresto sim Mike =D

  • Mike

    Poderiam ter feito a mesma coisa com a Menina que roubava livros… a capa original é 10x melhor que a atual!

  • Muito bão Miho! Já estava maluco com o filme, e logo depois de ler vossa resenha, dei aquele clicão no comprar! =)

    Avante!

  • …e sugestão: depois de maturar mais a obra original E o filme, um assunto fantástico desse merece um belo Cast!

  • Primeiramente quero parabenizar você pela resenha Miho, em poucas linhas você resumiu o livro e pontuou algo muito importante, “devemos discutir mais”. A pouco tempo vi uma “resenha” sobre o filme, se é que pode chamar aquilo do resenha, e a pessoa somente apontava motivos pra não assistir ao filme (detalhe a própria não assistiu e tudo era baseado em achismo). E um ponto que o “profissional” em questão apontou e me incomodou muito foi o quesito “Não tenho culpa”, insinuando que ele não precisa se martirizar sobre um episódio provocado pelos nossos ancestrais e não pela gente, cara tu não sabe o quanto esse tipo de raciocínio me preocupa.

    Por outro lado nem tudo está perdido visto que assim como você temos outras pessoas dispostas a refletir sobre os fatos e usar nosso passado vergonhoso para construir um futuro do qual possamos nos orgulhar. O Sr Neil Gaiman disse uma vez num quadrinho que li que é necessário conhecer a historia pra entender o presente e moldar o futuro, e ele está completamente correto! Já ouvi gente dizendo que não existe mais preconceito, que hoje somente os próprios negros são preconceituosos consigo mesmo, a pessoa que fala uma merda dessa com certeza não vive no mesmo universo que eu. Se ela deixasse sua zona de conforto por um misero dia e visitasse alguns lugares ela ia ver que a realidade é um pouco mais cruel que o mundinho “chamyto gelado” que ela vive.

    Bem chega de falar se não vou parecer um mimizento dos comentários rsrs … parabéns novamente por apontar questionamentos importantes e depois do Milke também quero o livro emprestado 😉 … bjss