Sabe aquele anime muito show de bola que você viu outro dia naquele canal que não passa desenhos japoneses? EXATAMENTE! Aquilo não era um anime!

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Desde meados dos anos 80, a cultura japonesa invadiu o Brasil de maneira avassaladora, graças a extinta e saudosa Rede Manchete. Esta que foi uma mãe para nós, nos apresentou aos animes e tokusatsus, mostrando um pouco de como eram os desenhos animados asiáticos, tão diferentes dos tradicionais cartoons de Hanna-Barbera. Os animes, arrisco-me a dizer tomaram tal proporção no Brasil devido as histórias bem elaboradas, e exímia qualidade e realismo dos traçados dos personagens que muitos acreditavam ser os melhores tipos de animação.

Aqui na entrada dos anos 2000, é fácil dizer que a maioria das pessoas, que viu os animes na época de suas estreias brasileiras, acham/afirmam que Anime é sinônimo de desenho de qualidade. Entenda por qualidade: Historia bem feita, traços realistas e com poucas características cartunizadas, e personagens que possuem um plano de fundo bem estruturado.
Então surge a pergunta, o que acontece quando estúdios grandes e estúdios independentes (com certo apoio é claro, por que nada é de graça), começam a deixar seus velhos Toons de lado para fazer algo na linha do que os japoneses costumam fazer?
Ilustrando de outra forma: Sabe aquele filme cheio de aventura, romance e musica da Disney chamado Anastásia? Exatamente. Não é da Disney.

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Em determinado momento, outras grandes produtoras viram que a maneira Disney de criar histórias, era de fato bem sucedida e bem lucrativa, então, alguns poucos começaram a fazer no mesmo estilo. O Resultado é aquele filme fantástico que mesmo com o logo da Fox no título, as pessoas ainda creem que é da Disney.

O mesmo causo, porém em outra escala aconteceu no universo dos cartoons/animes e vem acontecendo até hoje. Um bom e concreto exemplo já vem das épocas antigas. Enquanto Ozamu Tezuka inovava com Astroboy e A Princesa e o Cavaleiro, Os estúdios americanos ainda apostavam nas aventuras cotidianas do gato e do rato e entre outros. Não que não fosse legal, longe disso, só que, a novidade era algo que todos gostavam. Então a primeira aposta. Vamos fazer um desenho rotineiro porém de ação. Melhor do que os atuais, com personagens que convençam mais, com um roteiro legal mas mantendo a característica de histórias cotidianas. Como fazer? Simples, contrate os japoneses! Foi assim que nasceu ThunderCats, um dos desenhos mais fodas de que me lembro. 100% animado por japoneses de uma empresa chamada Pacific Animation Corporation, formada por vários membros do que um dia viria a ser o Studio Ghibli. Pois é, não é anime mas é como se fosse.

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O mesmo acontece com a clássica Caverna do Dragão, produzida e roteirizada pelos americanos porém totalmente animada no Japão!
O oposto deste exemplo também existe. Houve uma época a poucos anos atrás onde os desenhos que imperavam eram os de non-sense engraçaralhos e ação com heróis fantásticos. Os carros chefes estavam na Nickelodeon com Padrinhos Mágicos e Bob Esponja e no Cartoon Network com Ben 10. No meio de tudo isso, surgiram timidamente desenhos com caraterísticas e traços singularmente semelhantes a de animes, porém sem envolvimento de estúdios de animação japoneses. São eles as Três Espiãs Demais e Martyn Mistery.

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Embora não tenham estourado como o próximo a ser citado, fizeram sua parcela de fãs enquanto passavam (As espiãs podem ser assistidas até hoje na Globo, não sei qual horário :/)

Foi em 2005 que surgiu uma aposta da Nickelodeon para fidelizar um público de crianças maiores, que fosse diferente do bom e velho non-sense para variar. Com um roteiro completamente bem estruturado, um excelente plot para a trama acontecer e personagens realmente interessantes, que Avatar: A Lenda de Aang veio ao mundo. Ao ver de primeira o desenho, nota-se que as principais características dos animes estão lá. Excelentes traços tanto nos personagens quanto nas paisagens e cenários. Uma história baseada em fantasia/mitologia e política ao mesmo tempo, até os olhos grandes e expressivos do mestre Ozamu estão lá!

E apesar de tudo isso e toda essa semelhança, não há nenhum envolvimento de estúdios japoneses na produção da Lenda de Aang. Apesar de um certo envolvimento com a galera da Coreia do Sul, a série foi totalmente feita nos estúdios da Nick na Califórnia.

O que quero dizer com todo esse mambo jambo, é que talvez graças aos estúdios japoneses de antigamente, o nível de animação no mundo acabou melhorando em muitos pontos. Os clássicos são excelentes sempre! Mas histórias bem elaboradas como um livro que você lê, também são muito bem vindas, e graças a isso, hoje temos bons exemplos para citar, que ensinam bons valores e trazem para junto, tanto crianças como adultos. Existem histórias e sagas tão épicas e bem feitas no quadrinhos hoje, imaginem se fizessem animações a altura das grandes sagas da DC ou da Marvel? O Cartoon da Liga de Justiça e outros do mesmo Gênero como Projeto ZETA, Super Choque e Batman do Futuro, são grandes exemplos de como isso poderia funcionar bem.

Lembram de mais algum exemplo disso? Compartilhem!

ERIC_ASS

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  • Miho

    Fala Eric! Ótimo post o/

    Eu acho que as animações japonesas deveriam ser (se já não são né rs) referência para todo mundo que está neste ramo.

    Dá para notar claramente o primor que os estúdios japoneses tem com a parte gráfica. O movimento dos personagens, a construção dos cenários, texturas, animações… tudo o que você vê na tela foi minunciosamente elaborado para ser bonito, meio que poético.

  • Hey, Eric, ótimo post! Muito bom mesmo.

    Gravou com a gente e se inspirou? Hehe

    Abraço

  • Cido

    E deixo uma menção para avatar a lenda de korra, que soube evoluir a historia legal, terminou a 3 temporada e a 4 promete ser bem mais seria que as demais. E quando o Ang aparece é foda pra caralho….

  • Brubs

    Maneiro o post Ericão, demorei um pouco pra vir aqui lê-lo por conta da correria da semana Bienalistica rsrs mas não poderia deixar de vir aqui contribuir com um comentário…
    Bem eu concordo com você em quase todos os pontos, as animações Japonesas são fodas! Elas são bem elaboradas, há um esmero diferenciado em certos quesitos e em termos de movimentos é imbatível! Mas nem sempre foi assim, as primeiras animações japonesas sofreram do mesmo mal que as americanas, com movimentos mecânicos entre outras coisas, mas evoluíram de formas bem distintas!
    Hoje notasse a diferença entre elas que vai muito além dos traços característicos, e sim a industria Americana esta bebendo muito na fonte japonesa, mas a japonesa lá atras bebeu da fonte americana, então podemos dizer que é uma troca justa rsrs

    Quanto ao que vc disse: “tomaram tal proporção no Brasil devido as histórias bem elaboradas, e exímia qualidade e realismo dos traçados dos personagens que muitos acreditavam ser os melhores tipos de animação”.
    Eu particularmente discordo com a palavra “realismo” e também desse formato ser o melhor tipo de animação. Acho que o Anime é tão estilizado quanto um cartoon (talvez um pouco menos) mas ainda sim bem estilizado, mas sim preserva características humanas e suas devidas proporções, mas não acho que chega a ser realista.
    Quanto a animação em si, muito me agrada esse formato, mas gosto da diversidade, e iria odiar se por exemplo o desenho da LJA fosse dessa forma, acho que cada um com sua linguagem tem seus pontos fortes e fracos, e agradam de maneiras diferentes. Enfim os desenhos da DC e MARVEL por mim podem continuar seguindo a linha cartoon, eu particularmente adoro, mas se eles experimentarem a linha Anime, eu não ia achar ruim também não, acho uma experiência válida que iria engrandecer muito… bom depois desse discurso eu paro por aqui, mas apesar de discordar de alguns pontos gostei muito da coluna, abs

  • Siiim.