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Quando eu era pequena, o computador era a coqueluche do verão. Lá em casa tinha um desktop tão velho que acredito que não posso nem falar que ele tinha memória e sim uma vaga lembrança (sério, o bicho custava para pensar até pra jogar aquele campo minado que vinha já instalado).

Lembro que nós tínhamos VCRs (Video-cassete para os menos ligados em siglas), Walkmans, ou toca-fitas, para a galera que curtia ouvir música e até video games ultra-potentes, aquele Game boy gigante ou o Nintendo (nintendinho, no linguajar maroto das ruas).

À medida que fui crescendo, durante a minha adolescência, foi a vez dos celulares invadirem o pedaço. Digite um o/ aí nos comentários quem se lembra daqueles trecos enormes, do tamanho de um orelhão, que os nossos pais costumavam carregar (não sei vocês, mas quando eu era pequena, tudo que eu conseguia pensar era UOU, um telefone sem fio é muito maneiro!!).

E, a partir daí, o mundo mudou (e como!).

Durante uma viagem nas minhas férias, fiz amizade com um grupo de turistas e, para manter contato com a galera, veio a galope a famosa pergunta: você tem Facebook?

– Nossa, nunca nem ouvi falar disso…

– Ahh você precisa criar uma conta! É tão prático!! Todo mundo tem!

– Em que mundo você vive?!

E como não conter uma surpresa ao ouvir isso de uma garotinha de 3 anos?

– Tá, tá OK! Vocês me convenceram, como eu crio um treco desses?

Dois ou três cliques depois. Voi lá.

Era tão fácil se conectar e, embora eu seja o tipo de pessoa que não fala muito, realmente curtia conhecer pessoas diferentes. Nessa época, o Orkut ainda era algo extremamente em alta aqui no Brasil (e o MySpace também, lembra dele?).

Agora imagina, eu comecei o meu texto falando de algumas tecnologias antigas. Em 10-15 anos, o modo como agimos e nos comunicamos se transformou tanto que até parece coisa tirada de outro mundo. Em uma época eu estava na escolinha, aprendendo a como escrever uma carta e, de repente, cá estou eu, sobrevivendo na vida “adulta” respondendo trocentos emails por dia, enquanto atendo o telefone, vejo meu celular, escuto música… ufa!

Tenho certeza que você, leitor, já pensou nisso: assim que a tecnologia avança ela fica cada vez mais pessoal. E, ao mesmo tempo que ela veio para nos conectar, ela também nos afasta.

Realmente, não é difícil você estar no mesmo aposento que 5 pessoas e todo mundo estar grudado no seu smartphone.

Ninguém nem olha na cara do outro.

Parece que tem alguma coisa nessas redes sociais que quanto mais compartilhamos nossas experiências de vida com os outros, mais nos afastamos das pessoas e de nós mesmos. É como se todos nós tivéssemos duas vidas, a real e a virtual.

O vídeo abaixo mostra direitinho o parágrafo acima.

Tanto o Facebook quanto o Twitter, duas das rede sociais mais usadas hoje em dia, são filtros de como nós encaramos o nosso dia-a-dia. Mas será que nós conseguimos, de fato, separar o real do virtual? Será que deixaremos de apreciar um momento de nossa vida se nós não compartilharmos o mesmo em nossas redes sociais?

Certo, talvez eu esteja fazendo uma tempestade em copo d’água puxando isso à tona mas o futuro da nossa vida real me preocupa. Somos constantemente bombardeados com muita negatividade na internet. Vendo tudo isso, entendo que as redes sociais trabalham com o nosso impulso e não com a nossa felicidade.

Nós publicamos coisas procurando uma aprovação, que chegam através de Curtir e Retweets. Temos uma falsa sensação de estarmos em uma espécie de quadro virtual, sendo apreciados.

E aí me fiz a seguinte pergunta:

Para quem você está vivendo?

A minha resposta?

Vambora que a vida não é um comercial de margarina Philadelphia, correto?

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